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Bolsas caem no mundo, petróleo dispara e ouro corrige forte: março turbulento

O mês de março de 2025 encerrou com um cenário que, à primeira vista, parece completamente caótico: bolsas globais em queda acentuada, ouro em forte correção, petróleo disparando e criptomoedas sem direção clara. No entanto, para quem observa o mercado financeiro com mais profundidade e experiência, esse tipo de movimentação pode esconder oportunidades estratégicas valiosas.
Nesse contexto, o panorama mensal da Zero Markets Brasil trouxe a análise de Rodrigo Cohen, trader profissional e analista convidado, que chamou atenção para a intensidade das movimentações nos principais ativos globais e, sobretudo, para o fato de que momentos de queda costumam ser, historicamente, os mais interessantes para investidores que sabem esperar o momento certo.
Em suas palavras:
"Queda assusta, mas também revela. O mercado está mostrando algo e a pergunta é se você está conseguindo ler."
S&P 500 registra uma das maiores quedas recentes
O principal índice do mundo, o S&P 500, fechou o mês com uma queda próxima de 7%, um dos recuos mais relevantes dos últimos períodos.

Segundo Cohen, não é apenas a queda em si que chama atenção, mas o contexto:
o índice perdeu a média móvel de 200 períodos (referência importante para investidores);
chegou a ficar cerca de 15% distante dessa média;
e agora passa por um momento de possível reação técnica.
Historicamente, movimentos assim já abriram espaço para recuperações fortes. Em um episódio semelhante, após testar níveis parecidos, o S&P chegou a subir mais de 40% no ciclo seguinte.

Mas Cohen faz um alerta: isso não significa que a recuperação é imediata.
“No curto prazo, a tendência ainda é de queda. Mas o mercado já começa a olhar para o próximo movimento.”
Nasdaq e Europa seguem pressionados
o mês em queda e ainda apresenta espaço para novos recuos, especialmente enquanto o ambiente global permanecer instável.
Na Europa, o movimento foi ainda mais intenso.
O índice alemão (DAX) caiu mais de 10% no mês, um movimento raro em tão pouco tempo. Para Cohen, isso reflete diretamente o aumento do risco geopolítico e a saída de capital de ativos considerados mais arriscados.

“Quando o medo aumenta, o dinheiro procura segurança. E isso aparece primeiro nas bolsas.”
Ouro cai forte, mas pode abrir oportunidade
Depois de uma longa sequência de alta, o ouro sofreu uma correção relevante, chegando a cair mais de 14% no mês e, em alguns momentos, mais de 20% no pico da realização.

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Mesmo assim, Cohen vê um ponto técnico importante: o metal voltou exatamente para a média móvel de 200 períodos, algo que não acontecia desde 2023.
Para o analista, esse tipo de movimento é raro e pode representar uma zona interessante para quem acompanha o ativo.
“O ouro caiu forte, mas parou em um ponto que historicamente já gerou reação. Vale observar com atenção.”
Petróleo dispara quase 50% com tensão geopolítica
Se houve um grande vencedor no mês, esse ativo foi o petróleo.
O Brent chegou a subir aproximadamente 48%, impulsionado diretamente pela escalada das tensões no Oriente Médio.

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Para o investidor leigo, Cohen resume de forma simples:
guerra → risco de oferta → petróleo sobe;
petróleo sobe → inflação sobe;
inflação sobe → juros ficam pressionados.
Ou seja: o petróleo não sobe isoladamente. Ele afeta toda a economia.
Apesar da alta, Cohen lembra que o petróleo deixou “gaps” (regiões no gráfico sem negociação) em níveis mais baixos, o que pode indicar espaço para correções caso o cenário geopolítico se estabilize.
Bitcoin surpreende com estabilidade
Diferente de outros ativos, o Bitcoin apresentou comportamento mais estável, com variação próxima de 1% no mês.
Apesar da volatilidade intradiária, o saldo final foi praticamente lateral.
Mesmo assim, Cohen mantém uma visão mais cautelosa no curto prazo, com possibilidade de novas quedas caso o ambiente global continue pressionado.
A região entre US$ 37 mil e US$ 45 mil aparece como possível zona de teste em um cenário mais negativo.

Dólar ganha força com cenário de risco
O dólar global (DXY) subiu cerca de 2,6% no mês, refletindo o comportamento clássico de momentos de incerteza: busca por segurança.

Para Cohen, se a guerra persistir, há espaço para o dólar continuar se valorizando, o que pode pressionar ainda mais economias emergentes como o Brasil.
Ibovespa recua, mas ainda tenta se sustentar
No Brasil, o Ibovespa também fechou o mês em queda, com recuo próximo de 3%.
Apesar disso, o índice ainda demonstra alguma resiliência no curto prazo, com tentativas de recuperação após testar regiões importantes de suporte.

Segundo Cohen, o comportamento da Bolsa brasileira continua muito ligado a dois fatores principais:
fluxo de capital estrangeiro;
cenário político, especialmente com a aproximação do período eleitoral.
Ele lembra que historicamente o mercado tende a reagir positivamente a cenários considerados mais favoráveis ao ambiente de negócios.
O que o mercado está tentando antecipar?
A principal reflexão trazida por Cohen no fechamento do mês é que o mercado não reage apenas ao presente — ele tenta antecipar o futuro.
Mesmo com guerra, tensão e inflação pressionada, alguns movimentos indicam que investidores já começam a olhar para frente:
até quando a guerra vai durar;
qual será o impacto real no petróleo;
quando os juros podem voltar a cair;
e onde estão as oportunidades após as quedas.
Conclusão
Março foi um mês de forte ajuste global:
bolsas caíram;
petróleo disparou;
ouro corrigiu;
dólar se fortaleceu;
cripto ficou indecisa.
Para Rodrigo Cohen, momentos assim exigem menos impulsividade e mais leitura de contexto.
“Queda não é sinal de fim. Muitas vezes é só o mercado se reorganizando antes do próximo movimento.”
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