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Autocustódia de Bitcoin: Roubo de quase US$ 90 milhões expõe falha em carteiras frias e reacende debate sobre

Um dos maiores casos recentes de roubo de Bitcoin colocou em xeque um dos pilares mais defendidos pela comunidade cripto: a segurança das carteiras frias (cold wallets).
No novo episódio especial da Zero Markets Brasil, o trader e analista convidado Rodrigo Cohen analisa como uma falha de programação permaneceu escondida durante anos e permitiu o desaparecimento de aproximadamente 1.400 bitcoins, avaliados em cerca de US$ 90 milhões.
Segundo Cohen, o episódio não representa uma falha do Bitcoin, mas um alerta sobre os riscos de confiar cegamente em qualquer sistema.
"O Bitcoin não falhou. A matemática não falhou. O que falhou foi uma camada que quase ninguém imaginava precisar questionar."
O que aconteceu?
Entre os dias 30 de julho e 2 de agosto, aproximadamente 1.400 bitcoins desapareceram de diversas carteiras digitais.
Segundo Cohen:
nenhuma corretora foi invadida;
nenhum servidor foi comprometido;
não houve clique em links falsos;
e os usuários utilizavam justamente o método considerado o mais seguro do mercado: a autocustódia.
A falha estava na geração das chaves
O problema ocorreu em uma das carteiras frias mais respeitadas do mercado.
Segundo Cohen, um erro de programação introduzido em março de 2021 alterou o processo responsável por gerar as chaves privadas dos usuários.
Embora os números aparentassem ser totalmente aleatórios, deixaram de possuir o nível de aleatoriedade necessário para garantir a segurança criptográfica.
Na prática, a proteção das carteiras tornou-se significativamente mais vulnerável.
O Bitcoin não foi hackeado

Cohen faz questão de separar os fatos.
Segundo ele:
o protocolo do Bitcoin permaneceu intacto;
a criptografia não foi quebrada;
o equipamento executou exatamente o código que havia recebido.
O problema estava exclusivamente na geração das chaves privadas.
"Não foi o Bitcoin que falhou. Foi o processo que deveria proteger o acesso a ele."
Inteligência Artificial pode ter encontrado a vulnerabilidade
Outro ponto levantado durante o episódio chama atenção.
Segundo informações citadas por Cohen, a própria fabricante da carteira acredita que a vulnerabilidade pode ter sido localizada com auxílio de Inteligência Artificial.
Mesmo após anos de auditorias e revisões em código aberto, a falha permaneceu despercebida até que os ataques ocorreram.
Para Cohen, esse episódio mostra que a IA pode alterar profundamente o cenário da segurança digital.
Autocustódia continua sendo a melhor solução?
O caso também reacendeu um debate importante dentro do universo das criptomoedas.
Segundo Cohen, a autocustódia não deve ser encarada como um dogma.
Ao assumir a guarda dos próprios ativos, o investidor também assume integralmente a responsabilidade pela segurança.
Ele cita a reflexão do especialista Maurício Magaldi, do BlockDrops:
"Quem quer ser o próprio banco assume o mesmo risco de um banco."
Diversificação continua sendo uma das principais defesas
Para Cohen, a principal lição do episódio não é abandonar o Bitcoin nem deixar de utilizar carteiras próprias.
A principal lição é evitar concentração excessiva.
Segundo o analista, uma estratégia prudente inclui:
diversificar entre diferentes custodiante e corretoras;
utilizar mais de uma forma de armazenamento;
manter parte da exposição via ETFs;
e evitar concentrar todo o patrimônio em um único fornecedor ou dispositivo.
O risco da falsa sensação de segurança
Na avaliação de Cohen, o maior perigo é acreditar que algo é seguro apenas porque nunca apresentou problemas.
Cinco anos de funcionamento sem incidentes, segundo ele, não garantem que um sistema seja infalível.
"O fato de nunca ter dado problema não significa que ele seja perfeito. Apenas significa que o problema ainda não apareceu."
Uma reflexão que vale para qualquer patrimônio
Embora o episódio tenha ocorrido no mercado de criptomoedas, Cohen destaca que a lição vale para qualquer tipo de investimento.
Empresas, plataformas, gestores, aplicativos e instituições financeiras também dependem de sistemas tecnológicos.
Por isso, revisar periodicamente onde e como o patrimônio está armazenado torna-se parte essencial da gestão de risco.
Conclusão
O caso envolvendo o roubo de aproximadamente US$ 90 milhões em Bitcoin reforça uma das regras mais importantes do mercado financeiro: diversificação continua sendo uma das melhores formas de proteção.
Para Rodrigo Cohen, o investidor não deve agir por medo, mas também não pode abrir mão do senso crítico.
"Não coloque tudo o que você não pode perder em um único lugar. Diversificar continua sendo uma das decisões mais inteligentes que um investidor pode tomar."
Assista ao vídeo completo desse assunto no canal da ZERO Markets Brasil.
DISCLAIMER: As opiniões aqui expressas refletem o entendimento pessoal e independente do Diretor de Análise RODRIGO SANTOS COHEN, CNPI-T (6520), inclusive em relação à pessoa jurídica à qual está vinculado. Este relatório não constitui oferta nem garantia de resultado, e o investidor é o único responsável por suas decisões. A Zero Markets Brasil Consultoria e Análise de Valores Mobiliários LDTA, CNPJ 56.964.932/0001-09, credenciada perante a APIMEC Brasil, declara, nos termos do art. 22 da Resolução CVM nº 20/2021, não haver situação que afete a imparcialidade deste relatório ou configure conflito de interesses, ressalvado o que, se existente, será divulgado no próprio relatório.

