Panorama Macro da Semana

Treasuries, PCE e Nvidia no radar: petróleo cai e as eleições 2026 entram de vez nos preços

A última semana de agosto começa com uma combinação relevante de riscos macroeconômicos, eventos corporativos e fatores políticos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a intervenção do Tesouro no mercado de Treasuries aumentou o debate sobre a trajetória fiscal americana. Além disso, os investidores já se preparam para o PCE, o balanço da Nvidia e novas sinalizações vindas de Jackson Hole.

Paralelamente, o petróleo volta ao centro das atenções com uma queda expressiva, mesmo diante das tensões envolvendo o Irã e das incertezas sobre o Estreito de Ormuz.

No Brasil, por sua vez, o calendário das eleições 2026 passa a integrar definitivamente a formação de preços no mercado. Com efeito, com a campanha nas ruas, as pesquisas eleitorais, a inflação e o mercado de trabalho tendem a dividir espaço com as discussões fiscais e monetárias na agenda dos investidores.


Cenário Internacional: Treasuries, petróleo e eleições 2026 no radar do mercado

A movimentação do Tesouro americano no mercado de Treasuries acabou dominando a semana passada, embora tenha gerado uma reação diferente daquela aparentemente desejada pelo governo. Com efeito, a tentativa de reduzir a pressão sobre os títulos de prazo mais longo encontrou ceticismo entre investidores e ampliou uma discussão que já vinha ganhando força: a sustentabilidade da trajetória fiscal dos Estados Unidos.

Parte do mercado questiona não apenas a capacidade de uma intervenção produzir efeitos duradouros sobre os juros longos, mas também o impacto desse tipo de atuação sobre a credibilidade do próprio Tesouro em um momento de déficits elevados e crescente necessidade de financiamento. Por conseguinte, o comportamento da curva de juros americana permanece como uma das principais variáveis para ativos de risco, moedas e commodities.


Paralelamente, o petróleo acrescenta uma nova camada de incerteza. O Brent recuava quase 2% no fim da noite de domingo, apesar da expectativa de novas sanções dos Estados Unidos contra o Irã. A pressão baixista ganhou força depois que o Iraque sinalizou que pretende mais que dobrar sua produção nos próximos seis anos. Entretanto, a perspectiva de maior oferta convive com um risco geopolítico ainda importante. Enquanto não houver normalização do tráfego pelo Estreito de Ormuz, o conflito continuará alimentando dúvidas sobre a oferta global de energia e seus efeitos inflacionários.

Para os Estados Unidos, essa combinação é particularmente sensível, uma vez que uma nova pressão sobre preços poderia dificultar a flexibilização monetária e manter os rendimentos dos Treasuries elevados por mais tempo. Além disso, a agenda econômica e corporativa adiciona volatilidade potencial. Na quarta-feira, o mercado acompanha o PCE, uma das principais referências de inflação do Federal Reserve, além do balanço da Nvidia, empresa no centro do ciclo de inteligência artificial.

No encerramento da semana, as atenções também estarão voltadas para Jackson Hole e para as declarações de Warsh. Dessa forma, com inflação, fiscal e juros conectados globalmente, as incertezas internacionais passam a dialogar diretamente com o cenário local e com as projeções para as eleições 2026, repercutindo rapidamente sobre bolsas, dólar e curvas de juros. Para acompanhar as diretrizes e regras oficiais do pleito, consulte o portal do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).


Cenário Doméstico: Inflação, Selic e as eleições 2026 no radar do mercado

No Brasil, o mercado começa a incorporar de forma mais consistente o calendário das eleições 2026. Com efeito, com a campanha nas ruas, a disputa política tende a ocupar progressivamente mais espaço na precificação do Ibovespa, do câmbio e da curva de juros.

Nesse sentido, levantamentos de intenção de voto recentes indicam a movimentação das pesquisas no quadro eleitoral, dentro da margem de erro. A eleição, portanto, já entrou no radar dos investidores, embora ainda sem uma alteração relevante no tabuleiro que justificaria uma mudança abrupta de posicionamento.

Além disso, o cenário econômico terá um peso importante. O IPCA-15 fornecerá novas informações sobre a dinâmica da inflação, enquanto os números do mercado de trabalho ajudarão os investidores a recalibrar suas projeções para a taxa Selic. Paralelamente, a comunicação do Banco Central permanece altamente relevante para o mercado financeiro.

Em um ambiente no qual inflação, atividade econômica, expectativas fiscais e o cenário político se sobrepõem, o mercado deve continuar bastante sensível às sinalizações sobre os próximos passos da política monetária. Consequentemente, para os ativos brasileiros, o resultado é um ambiente de maior seletividade, uma vez que o quadro fiscal e as eleições 2026 continuam limitando a previsibilidade do cenário doméstico.


Análise Técnica dos principais ativos

Para navegar com clareza em cenários de alta volatilidade, a aplicação correta da análise técnica é fundamental para mapear os melhores pontos de entrada, saída e gestão de risco.


Análises técnicas

S&P 500

O ETF SPY, que replica o desempenho do S&P 500, aprofundou a correção depois do forte movimento de alta registrado nas semanas anteriores. A queda, porém, encontrou suporte justamente na região do antigo rompimento, próxima aos US$ 760, que também coincide com a média móvel de 21 períodos.

Essa confluência começa a caracterizar um possível pullback técnico, com tentativa de retomada do fluxo comprador.

Enquanto o preço permanecer acima dessa região, o cenário favorece inicialmente um retorno em direção ao último topo e, posteriormente, uma tentativa de renovação das máximas.

Em uma estratégia tática, a proximidade do suporte permite trabalhar com um ponto de invalidação relativamente curto abaixo dessa faixa. A perda consistente da região de US$ 760 descaracterizaria o pullback e aumentaria o risco de aprofundamento da correção.

O ETF SPY manteve a estrutura positiva depois de romper sua antiga região de consolidação. O preço permaneceu acima da área dos 760 pontos e passou a oscilar próximo das máximas, sem devolver parcela significativa do movimento anterior.

Sob a perspectiva da análise técnica, a configuração mantém aberta a possibilidade de formação de um padrão de mastro-bandeira no gráfico diário. O impulso anterior representa o mastro, enquanto a consolidação atual pode funcionar como a bandeira.

As médias móveis de 21 e 50 períodos permanecem ascendentes e posicionadas abaixo do preço, reforçando o viés comprador. Consequentemente, um rompimento consistente da parte superior da consolidação poderia ativar o padrão e abrir espaço para outra extensão do movimento de alta. Enquanto a região anteriormente rompida permanecer preservada, a estrutura gráfica segue favorável aos compradores.
Viés técnico da semana: Comprador.


Ibovespa

O Ibovespa voltou a apresentar volatilidade na semana passada e corrigiu depois de uma tentativa de recuperação, retornando para uma região que havia funcionado como zona de consolidação no mês anterior.

No início desta semana, o índice tenta reagir a partir dessa faixa. As médias móveis, entretanto, permanecem muito próximas umas das outras, reforçando a ausência de uma tendência direcional clara no curto prazo.

Enquanto o Ibovespa permanecer preso nessa região, o cenário técnico é predominantemente neutro.

Além da indefinição gráfica, o ambiente eleitoral e as discussões envolvendo a trajetória fiscal brasileira continuam funcionando como fontes adicionais de incerteza.

Uma mudança mais consistente de viés exigiria um afastamento claro da zona de congestão e das médias móveis. Até que isso aconteça, o contexto favorece cautela e espera por uma confirmação técnica mais objetiva.


Ouro - XAU/USD

O ouro manteve seu forte movimento de recuperação e confirmou a melhora do fluxo comprador. O XAU/USD avançou acima da média móvel de 200 períodos e ampliou sua distância em relação às médias de prazo mais curto.

Esse comportamento reforça a reversão observada nas últimas semanas e mantém o viés técnico positivo.

A tendência segue favorável aos compradores, mas o ativo agora se aproxima de duas resistências importantes, localizadas nas regiões de US$ 4.770 e US$ 4.843.

Esses níveis podem aumentar a pressão vendedora e funcionar como zonas relevantes para realização parcial de posições.

Enquanto o ouro sustentar a região rompida e permanecer acima da média móvel de 200 períodos, o cenário técnico continua favorecendo a continuidade da recuperação. A proximidade das resistências, porém, exige maior atenção à relação entre risco e retorno.


EUR/USD

O EUR/USD manteve o movimento de recuperação iniciado no fundo de sua zona de consolidação e voltou a avançar em direção à região central do retângulo.

Apesar da reação, o par chega justamente ao miolo da consolidação, faixa que historicamente apresenta menor clareza direcional e uma relação entre risco e retorno menos favorável para novas operações.

O preço também se aproxima da média móvel de 200 períodos, que pode atuar como resistência no curto prazo.

Diante desse conjunto técnico, o viés para a semana permanece neutro. O mercado precisa mostrar como o EUR/USD reagirá nessa região antes de apresentar uma oportunidade mais clara.

Uma aproximação dos extremos da consolidação ou um rompimento acompanhado de confirmação direcional tende a oferecer uma estrutura técnica mais favorável do que operações realizadas no centro do intervalo atual.


Conclusão: Catalisadores globais e as eleições 2026 no radar do mercado

A semana reúne catalisadores suficientes para elevar a volatilidade nos mercados. Nos Estados Unidos, por exemplo, Treasuries, PCE, Nvidia e Jackson Hole podem alterar rapidamente as expectativas para os juros e ativos de risco. No mercado de petróleo, por sua vez, as perspectivas de aumento de oferta convivem com riscos geopolíticos ainda capazes de afetar a inflação e a política monetária global.

No Brasil, indicadores de inflação, emprego e a comunicação do Banco Central ganham uma nova variável decisiva: as eleições 2026. Embora levantamentos de intenção de voto indiquem estabilidade no momento, o processo eleitoral tende a exercer influência crescente sobre câmbio, juros e bolsa à medida que o pleito se aproxima. 

Paralelamente, no ambiente técnico, os ativos apresentam sinais distintos:

  • O S&P 500 testa uma região importante para a retomada da tendência;

  • O Ibovespa continua preso em consolidação;

  • O ouro mantém viés positivo;

  • O par EUR/USD permanece em uma área de menor clareza operacional.

Dessa forma, o cenário exige disciplina, atenção aos níveis de invalidação e seletividade. Com efeito, em um contexto com múltiplos fatores atuando simultaneamente, preservar uma boa relação entre risco e retorno tende a ser tão importante quanto antecipar a direção do próximo movimento.


👉 Para entender melhor como esses fatores podem impactar sua estratégia, assista ao vídeo completo com Marcos Praça no canal da ZERO MARKETS BRASIL no YouTube.


⚠ DISCLAIMER:
As opiniões aqui expressas refletem o entendimento pessoal e independente do Diretor de Análise MARCOS FELIPE MARTINS DA SILVA PRAÇA, CNPI-T (EM-9505), inclusive em relação à pessoa jurídica à qual está vinculado. Este relatório não constitui oferta nem garantia de resultado, e o investidor é o único responsável por suas decisões. A  Zero Markets Brasil Consultoria e Análise de Valores Mobiliários LDTA, CNPJ 56.964.932/0001-09, credenciada perante a APIMEC Brasil, declara, nos termos do art. 22 da Resolução CVM nº 20/2021, não haver situação que afete a imparcialidade deste relatório ou configure conflito de interesses, ressalvado o que, se existente, será divulgado no próprio relatório.

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