Panorama Macro da Semana
Tensões no Oriente Médio e inflação no radar: mais uma semana decisiva para os mercados

Os mercados globais abrem esta semana sob forte tensão, e os sinais de alerta estão em todos os fronts. Além do cenário geopolítico cada vez mais instável, investidores enfrentam ainda uma enxurrada de dados econômicos que prometem agitar ainda mais os mercados nas próximas sessões.
O conflito no Oriente Médio, longe de qualquer desescalada, segue alimentando a aversão ao risco. Ao mesmo tempo, as atenções se voltam para os indicadores-chave de inflação nos Estados Unidos e no Brasil, números que, dependendo do resultado, podem redefinir as apostas para a política monetária global.
Em suma, o que está em jogo vai muito além dos pregões: energia, crédito e ativos financeiros estão diretamente na linha de fogo. Por isso, entender a dinâmica dos mercados neste momento não é apenas estratégico, é essencial para qualquer investidor que não queira ser pego de surpresa.
🌍 Cenário Internacional
O maior vetor de risco para os mercados globais continua sendo, sem dúvida, a escalada do conflito no Oriente Médio, e a situação está longe de se resolver. Desta semana, uma proposta conjunta de Irã e Omã colocou ainda mais lenha na fogueira: a criação de um mecanismo de navegação no Estreito de Ormuz, que incluiria uma espécie de pedágio para embarcações que cruzam a região. O impacto potencial é gigantesco, já que aproximadamente um quinto de todo o petróleo consumido no mundo passa por ali. Em outras palavras, qualquer perturbação neste corredor pode se traduzir diretamente em volatilidade nos mercados de energia, e em inflação nas bombas de gasolina mundo afora.
Para piorar, as esperanças de uma saída diplomática esbarraram em mais retórica. O aguardado pronunciamento de Donald Trump não trouxe nenhum avanço concreto, apenas ameaças que, até o momento, não se converteram em ação. Enquanto isso, o conflito chega à quinta semana consecutiva sem qualquer resolução clara, mantendo os mercados em permanente estado de alerta. Cada novo desdobramento é lido como gatilho potencial para uma nova rodada de aversão ao risco.
No campo econômico, no entanto, a semana reserva dados que podem ser igualmente decisivos. Na quinta-feira, o índice PCE, a métrica de inflação preferida do Federal Reserve, será divulgado. Logo na sequência, na sexta-feira, entra em cena o CPI de março. Ambos os indicadores chegam num momento crítico: espera-se que comecem a capturar a recente alta nos preços do petróleo, com reflexo imediato no custo da gasolina nos EUA, que já beira os US$ 4 por galão. Sendo assim, se os números vierem acima do esperado, a pressão sobre os mercados, e sobre o Fed, pode se intensificar de forma expressiva nas próximas semanas.
🇧🇷 Cenário Doméstico
No front doméstico, os mercados brasileiros também têm muito o que digerir nesta semana. O governo federal corre contra o tempo para conter a disparada do preço do diesel, e a estratégia em curso envolve a articulação de uma subvenção com apoio direto dos estados. No entanto, o caminho está longe de ser simples: as distribuidoras de combustíveis seguem oferecendo resistência crescente à proposta, o que adiciona uma camada extra de incerteza a um cenário que já era delicado por si só.
Além disso, a agenda econômica doméstica reserva um dado que promete mexer com os mercados na sexta-feira: a divulgação do IPCA de março. O indicador chega num momento especialmente sensível, afinal, o ambiente externo mais pressionado, puxado pela alta do petróleo e pelas tensões geopolíticas globais, tem tudo para se refletir nas expectativas inflacionárias aqui dentro.
Em última análise, dependendo do que o número mostrar, o Banco Central pode se ver diante de um cenário ainda mais espinhoso para calibrar a política monetária nos próximos meses. Em resumo, os mercados locais entram na semana atentos em duas frentes simultâneas, e qualquer surpresa, em qualquer uma delas, tem potencial de mover o ponteiro.
Análises Técnicas
S&P 500

O índice mantém uma estrutura primária de baixa, com topos e fundos descendentes e respeito à linha de tendência de baixa (LTB). As médias móveis seguem inclinadas para baixo, reforçando o viés vendedor. O movimento recente sugere um pullback, ainda sem confirmação de reversão.
Ibovespa

O índice rompeu uma LTB relevante, sinalizando perda de força vendedora. Caso sustente esse nível, pode avançar em direção aos 190 mil pontos. Uma eventual correção até a faixa de 182 mil pontos não invalidaria a tendência de alta no curto prazo.
Ouro (XAU/USD)

O ativo apresenta consolidação após forte alta. O preço oscila dentro de uma faixa estreita, indicando indecisão. Um rompimento do suporte pode levar a correção até a região de 4.322, mas sem comprometer a tendência de médio prazo.
EUR/USD

O par segue em consolidação lateral entre 1,1384 e 1,182. Atualmente próximo da parte inferior da faixa, precisa romper resistências para sinalizar retomada de alta. A perda do suporte pode reforçar a tendência de baixa dentro do range.
Conclusão
O cenário atual exige cautela. A combinação de riscos geopolíticos elevados e dados econômicos relevantes pode gerar movimentos bruscos nos mercados. O investidor deve manter uma postura estratégica, atento a oportunidades, mas preparado para volatilidade.
📺 Para entender melhor como esses fatores podem impactar sua estratégia, assista ao vídeo completo com Marcos Praça no canal da ZERO MARKETS BRASIL no YouTube.
Lá você confere a leitura técnica detalhada de todos os ativos, comentários de bastidores e os possíveis cenários para aproveitar as oportunidades do momento.
⚠️ DISCLAIMER
Nenhuma parte do conteúdo deste canal deve ser interpretada como oferta, negociação ou solicitação de valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Também não configura garantia de resultados ou compromisso de retorno sobre qualquer ativo analisado. As opiniões expressas neste vídeo refletem exclusivamente (i) o entendimento independente e pessoal do Diretor de Análise da Zero Markets Brasil, MARCOS FELIPE MARTINS DA SILVA PRAÇA, CNPI-T (EM-9505); (ii) não constituem recomendação de compra e/ou venda de qualquer ativo ou valor mobiliário; e (iii) as informações, estimativas e projeções utilizadas para formar o entendimento do analista refletem a data de publicação e estão sujeitas a alterações, sem a obrigação de comunicação para atualizações ou revisões, uma vez que não constituem recomendação de investimento ou desinvestimento. O investidor que, de algum modo, utilizar as informações e opiniões aqui veiculadas em seu processo de tomada de decisão é exclusivamente responsável por suas escolhas de investimento ou abstenção de investimento, não tendo a Zero Markets Brasil nem o Analista qualquer responsabilidade sobre os resultados ou prejuízos eventualmente obtidos. Nem o Analista nem a Zero Markets Brasil receberam qualquer benefício ou retorno financeiro em razão das opiniões aqui veiculadas, o que foi feito de modo absolutamente independente e livre de qualquer conflito de interesses, nos termos da Resolução CVM 20/2021.



