Panorama Macro da Semana
Payroll atrasado e CPI calibram as especulações da semana

A penúltima semana do ano chega com uma série de dados acumulados e decisões que prometem movimentar os mercados. Depois de uma semana intensa em Brasília — marcada pela tentativa de Hugo Motta de destravar a pauta da Câmara e pelo clima tenso entre governo e oposição —, a política monetária volta ao centro das atenções.
As decisões recentes do Fed e do Copom vieram dentro do esperado, mas foram suficientes para recalibrar as apostas sobre o rumo dos juros. Nos EUA, diminuiu a convicção de novos cortes em 2026, enquanto no Brasil a expectativa de início de queda da Selic em janeiro perdeu força.
O mercado doméstico, ainda sob reflexo do episódio político envolvendo a candidatura de Flávio Bolsonaro, se recuperou parcialmente. A reação mais contida do Centrão, que não sinalizou apoio ao filho do ex-presidente, trouxe algum alívio e reacendeu a percepção de que Tarcísio de Freitas pode seguir como alternativa competitiva para 2026.
Agora, os olhos se voltam para os dados do Payroll, que chegam atrasados por conta do shutdown americano e devem vir em dose dupla — trazendo os números de outubro e novembro. O CPI também entra no radar, ajudando a calibrar as expectativas sobre a trajetória dos juros americanos.
🌍 Cenário Internacional
O mercado global inicia a semana dividido entre a espera pelos dados de emprego e os desdobramentos das decisões recentes dos bancos centrais. O Fed manteve a taxa de juros inalterada, reforçando o discurso de dependência de dados, enquanto investidores avaliam se a pausa nos cortes deve durar mais tempo.
Além dos EUA, a agenda inclui reuniões importantes no Banco do Japão e no Banco Central Europeu, que podem influenciar o comportamento das moedas e dos ativos de risco.
A leitura dos dados do Payroll será determinante: um mercado de trabalho ainda aquecido pode reacender o temor de inflação persistente e adiar novos cortes, enquanto números fracos podem reforçar a tese de desaceleração global.
🇧🇷 Cenário Doméstico
No Brasil, a última semana do ano legislativo promete tensão em Brasília. A tentativa de avançar projetos ligados à redução de incentivos fiscais e ao fechamento do Orçamento de 2026 pode enfrentar resistência no Congresso, travando o avanço da pauta econômica.
Entre os dados locais, a Ata do Copom, o IBC-Br e o Relatório de Política Monetária devem direcionar as apostas sobre o início do ciclo de cortes de juros. O mercado segue dividido: parte acredita que o BC pode começar a reduzir a Selic já em janeiro, enquanto outra vê espaço apenas a partir do segundo trimestre de 2026.
📈 Análises Técnicas
S&P500

O índice americano testou a máxima histórica na semana passada, mas perdeu força para o rompimento e corrigiu até a média móvel de 21 períodos no gráfico diário. Esse ponto atua agora como suporte e mantém o índice em compasso de espera até a divulgação do Payroll. A combinação de dois relatórios acumulados e a recente decisão do Fed promete volatilidade intensa e possíveis movimentos bruscos de curto prazo.
Ibovespa

O índice apresentou um candle de indecisão na última semana — um martelo com pavio longo que indica rejeição de preço e sinal de reversão. O movimento foi confirmado nos pregões seguintes, com o Ibovespa acumulando quatro altas consecutivas e mirando a máxima histórica em 165 mil pontos. Ainda assim, o momento exige cautela, já que o volume tende a cair no fim do ano e a bolsa continua sensível ao noticiário político.
Ouro (XAU/USD)

O metal precioso repete seu padrão de consolidação e vem respeitando uma linha de tendência de alta bem definida. A resistência é a máxima histórica, e o rompimento desse ponto ainda em 2025 seria um marco importante. O cenário favorece operações de compra curtas, desde que acompanhadas de gerenciamento de risco.
EUR/USD

O par rompeu a consolidação de curto prazo e acelerou até a metade da zona de consolidação de médio prazo, ganhando força para buscar o topo da faixa — ponto que representa tanto alvo final quanto área de realização parcial. O movimento segue técnico e dependente dos dados americanos desta semana.
🎯 Conclusão
A semana promete ser uma das mais movimentadas de dezembro. O Payroll duplo e o CPI americano devem calibrar as apostas para 2026, enquanto o Brasil encerra o ano legislativo sob ruído político e debate fiscal. A leitura do mercado é de prudência: com liquidez reduzida e volatilidade elevada, o investidor precisa equilibrar paciência e precisão técnica nas próximas operações.
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