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Pesquisas Eleitorais 2026 movimentam bilhões no mercado financeiro

Para dimensionar esse movimento, vale olhar os números. Depois de uma valorização histórica de 7,7% em um único pregão, o Ibovespa chegou a se aproximar dos 209 mil pontos, mas logo devolveu parte dos ganhos. No câmbio, o roteiro foi parecido: o dólar, que tinha recuado até a região dos R$ 4,90, voltou a ser negociado perto de R$ 5,20.

O que chama atenção, no entanto, é o pano de fundo. Afinal, essas oscilações acontecem em meio à divulgação de novas pesquisas eleitorais em 2026, que continuam apontando uma disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Em outras palavras, o mercado tem reagido com intensidade a levantamentos que, até aqui, mostram um cenário indefinido.

É justamente esse descompasso que este conteúdo da ZERO Markets Brasil coloca em pauta. Nele, o trader e analista convidado Rodrigo Cohen explica por que, ao acompanhar as pesquisas eleitorais, o investidor precisa entender a diferença entre aquilo que o mercado espera e o que os dados realmente mostram. Como ele resume:

“O mercado está movimentando bilhões com base em pesquisas que, estatisticamente, ainda não permitem apontar um vencedor com segurança.”

Ibovespa chegou aos 209 mil pontos com as notícias das pesquisas eleitorais 2026


Antes mesmo de as pesquisas eleitorais de 2026 do segundo turno entrarem em cena, o mercado já tinha dado uma resposta histórica ao resultado das urnas. Na segunda-feira seguinte à votação, o Ibovespa fechou próximo dos 206,9 mil pontos, com alta de 7,7% em apenas um dia. Ao mesmo tempo, o dólar registrou sua maior queda diária em mais de oito anos.

Nos pregões seguintes, o otimismo se manteve e a Bolsa chegou a se aproximar dos 209 mil pontos. Depois disso, no entanto, o movimento começou a perder força.

Para Cohen, a explicação está no comportamento antecipatório dos mercados financeiros. Nas palavras dele:

“A Bolsa não espera uma reforma ser aprovada ou um governo tomar posse. Ela tenta antecipar o que pode acontecer. O problema começa quando o preço já incorpora mais otimismo do que os dados justificam.”

Pesquisa favorável pode fazer a Bolsa cair?

Um dos episódios mais curiosos aconteceu após a divulgação de uma pesquisa que apontava Flávio Bolsonaro à frente de Lula por aproximadamente três pontos percentuais.

Em princípio, seria uma notícia positiva para os investidores que associam a candidatura a uma agenda econômica mais favorável ao mercado.

Entretanto, a Bolsa caiu. Segundo Cohen, a explicação não está necessariamente no resultado da pesquisa, mas na diferença entre o resultado divulgado e aquilo que os investidores esperavam.

“O mercado não reage apenas à notícia. Ele reage à diferença entre a notícia e a expectativa que já estava embutida no preço.”

Se os investidores esperavam uma vantagem maior, uma pesquisa favorável, mas abaixo dessa expectativa, pode provocar realização de lucros. É justamente por isso que notícias aparentemente positivas nem sempre fazem as ações subirem.

Empate técnico: o que a margem de erro realmente significa?

O principal ponto levantado por Cohen está na forma de interpretar as pesquisas eleitorais de 2026. Segundo os levantamentos citados no vídeo, os dois candidatos aparecem separados por aproximadamente dois pontos percentuais. Só que existe um detalhe decisivo nessa conta: a margem de erro.

Isso acontece porque as pesquisas eleitorais, como qualquer pesquisa, não entrevistam toda a população. Em vez disso, elas trabalham com amostras para estimar a intenção de voto do eleitorado. Por isso, todo resultado carrega uma margem de incerteza estatística.

Na prática, uma pesquisa com margem de erro de dois pontos percentuais, por exemplo, não permite interpretar uma diferença pequena como prova definitiva de liderança. Na avaliação de Cohen, quando os intervalos de incerteza dos candidatos se sobrepõem, não há segurança estatística suficiente para afirmar quem está efetivamente à frente. Ele resume assim:

“A pesquisa está dizendo que a disputa continua indefinida. Mas o mercado, muitas vezes, se comporta como se já soubesse quem vai ganhar.”

Vale observar, ainda, que empate técnico não significa probabilidades necessariamente iguais de vitória. Significa, isso sim, que a pesquisa, dentro de suas limitações estatísticas, não permite estabelecer uma liderança conclusiva.

O mercado está mais convicto do que os dados permitem?

Essa é a principal reflexão apresentada pelo analista. De um lado, pesquisas eleitorais indicam uma disputa apertada. Do outro, investidores movimentam bilhões de reais diariamente, antecipando cenários para:

  • gastos públicos;

  • política fiscal;

  • juros;

  • dólar;

  • empresas estatais;

  • tributação;

  • e crescimento econômico.

O problema é que boa parte dessas expectativas ainda depende de um resultado eleitoral indefinido.

“O mercado pode estar certo na direção. Mas também pode estar atribuindo uma convicção muito maior do que a informação disponível permite.”

Para Cohen, essa diferença ajuda a explicar por que a Bolsa e o dólar apresentam movimentos tão intensos a cada nova pesquisa.

Dólar oscila quase 30 centavos e afeta empresas brasileiras


A volatilidade eleitoral não atinge apenas investidores da Bolsa. Ela também interfere diretamente no funcionamento de empresas que dependem de operações internacionais.

Nas últimas duas semanas, o dólar oscilou aproximadamente entre R$ 4,90 e R$ 5,20. Uma diferença próxima de 30 centavos. Para uma empresa que precisa pagar fornecedores internacionais, essa variação pode representar um impacto financeiro expressivo.

Considere uma importação de US$ 1 milhão. Com o dólar a R$ 4,90, o custo cambial seria de R$ 4,9 milhões. Com a cotação a R$ 5,20, o mesmo compromisso representaria R$ 5,2 milhões. Uma diferença de R$ 300 mil, sem qualquer alteração no produto comprado.

“Quem fechou câmbio no dia errado pode ter pago uma diferença enorme. E isso não tem nada a ver com o candidato em quem a pessoa pretende votar.”

Exportadores também precisam acompanhar o câmbio

O movimento contrário afeta empresas exportadoras. Uma companhia que recebe em dólar pode ter sua receita em reais ampliada quando a moeda americana sobe.

Por outro lado, uma queda expressiva do dólar reduz o valor convertido dessas receitas, caso não exista proteção cambial.

Para Cohen, o problema não é necessariamente o dólar subir ou cair. É a dificuldade de planejar quando a cotação muda rapidamente em função de acontecimentos políticos.

Juros futuros também reagem às pesquisas

Outro impacto menos visível ocorre no mercado de juros. Enquanto a Bolsa e o dólar recebem maior atenção do público, a curva de juros futuros também incorpora expectativas sobre o próximo governo.

Essa curva influencia o custo de financiamento das empresas. Mudanças nas expectativas fiscais podem afetar:

  • empréstimos;

  • financiamentos;

  • capital de giro;

  • custo de novas dívidas;

  • decisões de investimento.

Segundo Cohen, empresários que precisam renovar linhas de crédito podem sentir esses efeitos mesmo sem possuir qualquer investimento em ações.

“Isso não é apenas uma discussão de Bolsa. É uma discussão sobre o custo de operar uma empresa.”

O perigo de tomar decisões no dia de uma pesquisa


Com a proximidade do segundo turno, a tendência é de novas rodadas de levantamentos e, consequentemente, de mercados ainda mais sensíveis. Para Cohen, esse não é o melhor ambiente para decisões financeiras impulsivas.

Tanto que ele próprio afirma evitar grandes mudanças de posição justamente nos dias de divulgação de pesquisas eleitorais, sobretudo quando a decisão pode ser adiada sem prejuízo operacional.

O raciocínio por trás disso é direto: em momentos de grande volatilidade, os preços podem refletir emoções e expectativas que mudam rapidamente. Como ele mesmo exemplifica:

“Se uma decisão importante pode ser tomada na quinta-feira em vez de terça, em um dia de pesquisa, muitas vezes prefiro esperar.”

Ainda assim, isso não significa que toda decisão deva ser adiada. Afinal, compromissos financeiros, vencimentos e necessidades de caixa continuam exigindo planejamento, independentemente do calendário eleitoral.

Dividir operações pode reduzir o risco de errar o momento

Uma das estratégias utilizadas por Cohen para lidar com compromissos em dólar é evitar concentrar toda a operação em uma única cotação.

Em vez de tentar acertar o melhor momento, ele prefere dividir a contratação do câmbio em etapas. Uma parte agora. Outra posteriormente. E, quando possível, outra depois do resultado eleitoral.

Essa estratégia não garante o menor preço. Mas reduz a dependência de uma única decisão tomada em um ambiente extremamente volátil.

“Talvez não seja a decisão mais lucrativa. Mas é uma forma de não ficar completamente exposto a um único momento.”

FOMO e pânico são dois lados do mesmo erro

O analista também alerta para dois comportamentos frequentes durante os períodos eleitorais. O primeiro é o FOMO, expressão em inglês para o medo de ficar de fora.

Ele acontece quando o investidor observa uma alta expressiva e decide comprar apenas porque acredita que está perdendo uma oportunidade. O segundo é o movimento contrário: vender posições no desespero depois de uma queda intensa.

Para Cohen, ambos podem representar o mesmo erro. Tomar uma decisão importante justamente no momento de maior emoção.

“Eu não aumento exposição no meio de uma euforia. Também não corto tudo no meio de um susto.”

O primeiro movimento depois da eleição não define o ano inteiro

Cohen acompanha profissionalmente o mercado financeiro desde 2009 e destaca que as reações eleitorais costumam produzir movimentos intensos.

Entretanto, a direção dos primeiros pregões nem sempre corresponde ao comportamento dos meses seguintes. Depois da eleição, novas variáveis entram na conta:

  • composição do governo;

  • equipe econômica;

  • relação com o Congresso;

  • propostas fiscais;

  • decisões sobre juros;

  • execução das promessas eleitorais.

Por isso, uma alta ou queda expressiva imediatamente após a votação não deve ser interpretada como garantia de tendência para o restante do ano.

A pergunta que o empresário deveria fazer antes do segundo turno


Para Cohen, o principal exercício dos próximos dias não é tentar antecipar cada pesquisa. É avaliar a resistência financeira do próprio negócio.

O empresário precisa entender o que acontece se:

  • o dólar subir;

  • os juros aumentarem;

  • o crédito ficar mais caro;

  • a Bolsa cair;

  • ou o resultado eleitoral contrariar suas expectativas.

O mesmo raciocínio vale para investidores. Uma carteira excessivamente concentrada em um único cenário político pode sofrer perdas importantes se a realidade for diferente da esperada.

“Se o resultado vier do jeito que eu não espero, continuo de pé mesmo assim?”

Essa, para Cohen, é a pergunta central.

O que concluímos sobre as pesquisas eleitorais 2026

Faltando dez dias para o segundo turno, o Brasil vive um momento em que pesquisas eleitorais, expectativas econômicas e decisões financeiras estão diretamente conectadas. E os números deixam isso claro.

Desde o primeiro turno, o Ibovespa registrou uma alta histórica de 7,7% em um único dia, chegou perto dos 209 mil pontos e, em seguida, começou a devolver parte dos ganhos. O dólar, por sua vez, oscilou quase 30 centavos em aproximadamente duas semanas. Tudo isso, vale lembrar, enquanto as pesquisas continuam apontando uma disputa apertada.

Diante desse quadro, Rodrigo Cohen desloca o foco. Para ele, o maior risco não está necessariamente em escolher o cenário eleitoral errado e sim em estruturar investimentos ou decisões empresariais como se apenas um resultado fosse possível.

“Se o resultado vier diferente do que você espera e isso colocar seu patrimônio ou sua empresa em risco, talvez o problema não seja a eleição. Talvez seja sua estrutura, sua concentração ou a falta de planejamento.”

Por isso, a mensagem central do analista é preparar o patrimônio e o negócio para diferentes cenários, em vez de transformar cada nova pesquisa em uma decisão de compra ou venda.

Quer entender ainda mais sobre este assunto? Confira uma análise completa desse conteúdo no canal da ZERO Markets Brasil no Youtube. 

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As opiniões aqui expressas refletem o entendimento pessoal e independente do Diretor de Análise RODRIGO SANTOS COHEN, CNPI-T (6520), inclusive em relação à pessoa jurídica à qual está vinculado. Este relatório não constitui oferta nem garantia de resultado, e o investidor é o único responsável por suas decisões. A  Zero Markets Brasil Consultoria e Análise de Valores Mobiliários LTDA, CNPJ 56.964.932/0001-09, credenciada perante a APIMEC Brasil, declara, nos termos do art. 22 da Resolução CVM nº 20/2021, não haver situação que afete a imparcialidade deste relatório ou configure conflito de interesses, ressalvado o que, se existente, será divulgado no próprio relatório.

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