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Guerra, inflação e juros colocam o mercado global em encruzilhada, enquanto Brasil surpreende positivamente

O mercado global entra em um momento de tensão e incerteza simultâneas. De um lado, surgem sinais de possível abertura para negociações no conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel. De outro, a inflação ainda pressionada, os juros elevados e os mercados globais operam sob forte aversão ao risco, criando um ambiente de difícil equilíbrio.
Nesse contexto, no panorama macro da Zero Markets Brasil, Rodrigo Cohen, trader profissional e analista convidado, destaca que o mercado hoje vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos, justamente por reunir forças opostas acontecendo ao mesmo tempo. Além disso, segundo ele, essas forças não apenas coexistem, mas se intensificam mutuamente.
"O mundo está preso entre crescimento fraco e inflação ainda alta. Isso, portanto, coloca os bancos centrais numa posição extremamente difícil."
Guerra no Oriente Médio segue como principal driver do mercado global
O conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel já ultrapassa cinco semanas e continua sendo o principal fator de instabilidade global.
Nos últimos dias, o Irã sinalizou abertura para negociação, mas ainda sem avanços concretos. Ao mesmo tempo, o ex-presidente Donald Trump estabeleceu um novo prazo, até 6 de abril, para uma possível ação mais direta contra a infraestrutura iraniana.
Enquanto isso:
países da OTAN demonstram resistência em apoiar o conflito;
rotas estratégicas de petróleo seguem sob risco;
e o mercado reage diretamente a cada nova manchete.
Para Cohen, o comportamento dos preços já mostra um padrão claro:
qualquer sinal de paz → mercados sobem;
qualquer escalada da guerra → mercados caem.
Petróleo continua sendo o ativo mais sensível do cenário
Um dos reflexos mais diretos da guerra está no petróleo. Com efeito, o Estreito de Hormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo, permanece parcialmente comprometido, com restrições logísticas e aumento do risco de transporte.
Como resultado, o petróleo oscilou fortemente nas últimas semanas, mantendo o mercado em alerta constante. Diante disso, Cohen explica o impacto de forma direta:
"Se o petróleo sobe, a inflação sobe. Se a inflação sobe, os juros não caem. E isso, consequentemente, trava a economia."
Mundo enfrenta combinação rara: crescimento desacelerando e inflação pressionada
Segundo os dados apresentados no panorama:
o crescimento global gira em torno de 2,9%;
a inflação média do G20 está próxima de 4%;
e os custos industriais atingem os maiores níveis desde 2007.

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Esse cenário cria um problema clássico para os bancos centrais:
a economia perde força;
mas a inflação não cede com a velocidade necessária.
Resultado: dificuldade para cortar juros sem correr risco de reacelerar a inflação.
Estados Unidos: mercado dividido sobre cortes de juros
Nos Estados Unidos, os juros seguem entre 3,5% e 3,75% ao ano, com o Federal Reserve ainda adotando postura cautelosa.
Os principais dados mostram:
inflação (PCE) em torno de 2,7%;
desemprego em 4,4%;
criação de empregos mais fraca recentemente;
PIB revisado para 2,4%.

O mercado está dividido:
cerca de 60% acredita que não haverá corte de juros em 2026;
outros 40% já projetam pelo menos uma redução.
Até dentro do próprio Fed há divergência, 12 dos 19 membros já indicam possibilidade de corte.
Para Cohen, isso reforça a falta de direção clara:
“O mercado não está perdido. Ele está dividido.”
Brasil surpreende com resiliência e desempenho acima do exterior
Enquanto o cenário global se deteriora, o Brasil tem apresentado desempenho relativamente melhor.
Destaques:
Selic em 14,75% ao ano, ainda entre as mais altas do mundo;
expectativa de queda para cerca de 12,25% em 2026;
inflação (IPCA) em desaceleração para a faixa de 3,7% a 3,8%;
Ibovespa com desempenho superior ao S&P 500 no período recente.

Além disso, o alto nível de juros continua atraindo capital estrangeiro, através do chamado carry trade, quando investidores trazem dinheiro para aproveitar taxas mais altas.
“Hoje o Brasil está pagando caro pelo dinheiro. E isso atrai o mundo.”
Europa e Ásia enfrentam desafios adicionais
Na Europa, a situação é mais delicada:
inflação revisada para cima;
forte dependência de energia importada;
impacto direto da guerra sobre custos industriais.
Já na Ásia, os sinais são mistos:
China apresenta melhora nas vendas;
mas o setor imobiliário segue em queda;
e o custo de energia pressiona a atividade.

O grande dilema do mercado global
Para Cohen, o ponto central do momento é um conflito entre duas forças:
crescimento desacelerando
inflação ainda resistente
Esse cenário limita as ações dos bancos centrais e aumenta a volatilidade dos mercados.
Se a inflação cair:
→ os juros podem cair → mercados sobem
Se a inflação voltar a subir (por petróleo ou guerra):
→ os juros ficam altos → mercados sofrem

O que pode mudar o jogo nos próximos dias
Segundo a análise apresentada, dois eventos podem redefinir o rumo do mercado:
1. Desfecho da guerra
fim do conflito → queda do petróleo → alívio na inflação → mercados sobem
escalada do conflito → petróleo alto → inflação pressionada → mercados caem
2. Decisão dos bancos centrais
sinalização de corte de juros → impulso para ativos de risco
manutenção ou endurecimento → pressão sobre bolsas

Conclusão
O mercado global vive um momento de bifurcação. De um lado, existe a possibilidade de alívio, com negociação, queda do petróleo e redução de juros.
De outro, o risco de agravamento do cenário, com inflação persistente e economia travando.Para Rodrigo Cohen, a palavra-chave neste momento é cautela.
“Quando o cenário não é claro, a melhor estratégia não é tentar prever tudo. É se proteger, diversificar e reagir rápido.”
Para entender de forma completa o cenário global, acompanhe nos vídeos de análise no canal da ZERO Markets Brasil.
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