Panorama Macro da Semana
Impacto do petróleo na inflação: o que a alta muda nos juros ainda em 2026

A semana começa com os investidores voltando suas atenções para um tema que parecia parcialmente resolvido nos últimos meses: os juros. Isso porque o avanço das tensões geopolíticas no Oriente Médio provocou uma forte reação nos preços do petróleo, reacendendo preocupações inflacionárias em um momento em que os mercados buscavam maior clareza sobre o início dos ciclos de cortes de juros nos Estados Unidos e no Brasil. Em outras palavras, o impacto do petróleo na inflação voltou ao centro do debate justamente quando o mercado começava a precificar um cenário mais tranquilo.
Além disso, o cenário ganhou ainda mais complexidade após a divulgação de indicadores econômicos robustos, especialmente nos Estados Unidos, onde o mercado de trabalho continua demonstrando força. No Brasil, por sua vez, a atividade econômica segue surpreendendo positivamente, enquanto, em contrapartida, a inflação mantém sinais de resistência. Dessa forma, esse conjunto de fatores tem levado investidores a revisarem expectativas para o Federal Reserve e para o Copom, adotando, por consequência, uma postura mais cautelosa para os próximos meses.

Impacto do petróleo na inflação e Cenário Internacional
Nos Estados Unidos, o relatório de emprego divulgado na última semana reforçou a percepção de que a economia americana continua aquecida. Na prática, a manutenção de um mercado de trabalho resiliente reduz a necessidade de estímulos monetários e permite que o Federal Reserve mantenha sua postura vigilante no combate à inflação.
Diante disso, com o emprego permanecendo forte, o foco dos investidores migra agora para os próximos indicadores de inflação. Afinal, esses dados serão fundamentais para definir se o Fed terá espaço para iniciar cortes de juros ainda neste ano ou se, por outro lado, a trajetória de flexibilização monetária continuará sendo adiada.
Paralelamente, a geopolítica voltou a ocupar posição central nas decisões de mercado. Vale destacar que o aumento das tensões entre Israel e Irã elevou os riscos para a oferta global de energia e impulsionou os preços do petróleo. Como consequência, os investidores passaram a monitorar com mais atenção como a alta do petróleo pressiona a inflação, à medida que o encarecimento das commodities energéticas se espalha pela economia.
Por fim, esse cenário cria um desafio adicional para os bancos centrais globais: equilibrar o combate à inflação sem comprometer o crescimento econômico, sobretudo em um ambiente marcado por elevada incerteza geopolítica.
Cenário Doméstico
No Brasil, os dados econômicos recentes reforçaram a percepção de que a economia continua operando acima das expectativas. Para se ter uma ideia, o PIB do primeiro trimestre apresentou crescimento robusto, enquanto o mercado de trabalho segue resiliente, sustentando o consumo das famílias e, assim, contribuindo para a manutenção da atividade econômica em níveis elevados.
Por outro lado, a inflação continua demonstrando resistência à desaceleração. Além disso, as expectativas inflacionárias de longo prazo permanecem pressionadas, o que acaba dificultando a condução de um ciclo mais agressivo de redução da taxa Selic.
Diante desse contexto, o mercado tem revisado suas projeções para a política monetária brasileira. Vale ressaltar que,embora o processo de flexibilização siga no radar, a combinação entre atividade forte, inflação resistente e cenário externo mais desafiador reduz o espaço para movimentos acelerados por parte do Banco Central.
Nesse sentido, o comportamento do petróleo também merece atenção especial. Afinal, caso os preços da commodity continuem avançando, a pressão do petróleo sobre os preços pode se intensificar, sobretudo via combustíveis e custos de produção, adicionando mais um peso ao quadro inflacionário doméstico e, por consequência, ao trabalho do Copom.
Análises Técnicas
S&P500

FOTO 02
O ETF SPY, referência para o S&P 500, iniciou um movimento corretivo após falhar em sustentar os preços próximos das máximas históricas na região dos 760 pontos. A perda da média móvel curta indica enfraquecimento do momentum no curto prazo.
Apesar da correção recente, a tendência principal permanece positiva. O ativo continua negociando acima das médias móveis de longo prazo e mantém uma estrutura consistente de topos e fundos ascendentes. A principal região de suporte para esta semana encontra-se próxima dos 715 pontos, área correspondente à média móvel de 200 períodos. Um teste dessa região seria compatível com uma realização saudável dentro de uma tendência estruturalmente altista.
Ibovespa

O Ibovespa confirmou a formação técnica de um padrão de Ombro-Cabeça-Ombro (OCO), intensificando o movimento corretivo após o rompimento da linha de pescoço.
A pressão vendedora permanece dominante no curto prazo, levando o índice a se afastar das médias móveis mais curtas. O principal suporte agora está na região dos 166 mil pontos, onde se encontra a média móvel de 200 períodos no gráfico diário.
Caso essa faixa consiga conter a correção, poderá surgir um movimento de estabilização ou recuperação técnica. Entretanto, uma perda consistente desse suporte aumentaria significativamente os riscos de continuidade da tendência de baixa no curto prazo.
Ouro (XAU/USD)

O ouro ampliou seu movimento corretivo e voltou a testar uma importante região de suporte próxima dos 4.325 pontos. Trata-se de uma zona técnica relevante que já serviu como referência para reversões anteriores.
O ativo continua negociando abaixo das médias móveis de curto e médio prazo, enquanto a linha de tendência de baixa segue atuando como resistência dinâmica. A perda da região atual de suporte poderia acelerar a correção e abrir espaço para movimentos mais intensos de baixa.
Por outro lado, caso os compradores consigam defender essa faixa, o cenário mais provável passa a ser uma consolidação lateral enquanto o mercado aguarda maior clareza sobre juros, inflação e fluxo para ativos defensivos.
UR/USD

O par EUR/USD permanece dentro de uma ampla faixa de consolidação observada há vários meses, sem apresentar direção definida.
Atualmente, o preço se aproxima da parte inferior desse grande intervalo lateral, região que historicamente tem atraído compradores. As médias móveis seguem praticamente horizontais, reforçando a ausência de tendência predominante.
Para os próximos dias, o comportamento do ativo nessa faixa de suporte será decisivo. Sinais de defesa dos compradores podem favorecer movimentos de retorno para o centro da consolidação. Em contrapartida, um rompimento consistente da base do intervalo representaria um evento técnico importante e poderia abrir espaço para uma nova dinâmica de mercado.
Conclusão
Em resumo, a semana será marcada pela interação entre três fatores centrais: inflação, juros e geopolítica. Por um lado,os indicadores de inflação nos Estados Unidos e no Brasil poderão redefinir as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve e do Copom; por outro, a evolução dos conflitos no Oriente Médio seguirá influenciando diretamente os preços do petróleo e o sentimento dos investidores. Ou seja, o efeito do petróleo sobre os preços permanece como uma das principais variáveis a monitorar nas próximas semanas.
Diante disso, nesse ambiente, a cautela continua sendo a principal estratégia. Afinal, a volatilidade pode aumentar rapidamente à medida que novos dados econômicos e eventos geopolíticos surgirem, o que torna essencial uma gestão de risco disciplinada e uma leitura constante dos mercados.
👉 Para entender melhor como esses fatores podem impactar a sua estratégia, assista ao vídeo completo com Marcos Praça no canal da ZERO MARKETS BRASIL no YouTube.
⚠ DISCLAIMER:
Nenhuma parte do conteúdo deste canal deve ser interpretada como oferta, negociação ou solicitação de valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Também não configura garantia de resultados ou compromisso de retorno sobre qualquer ativo analisado. As opiniões expressas neste vídeo refletem exclusivamente (i) o entendimento independente e pessoal do Diretor de Análise da Zero Markets Brasil, MARCOS FELIPE MARTINS DA SILVA PRAÇA, CNPI-T (EM-9505); (ii) não constituem recomendação de compra e/ou venda de qualquer ativo ou valor mobiliário; e (iii) as informações, estimativas e projeções utilizadas para formar o entendimento do analista refletem a data de publicação e estão sujeitas a alterações, sem a obrigação de comunicação para atualizações ou revisões, uma vez que não constituem recomendação de investimento ou desinvestimento. O investidor que, de algum modo, utilizar as informações e opiniões aqui veiculadas em seu processo de tomada de decisão é exclusivamente responsável por suas escolhas de investimento ou abstenção de investimento, não tendo a Zero Markets Brasil nem o Analista qualquer responsabilidade sobre os resultados ou prejuízos eventualmente obtidos. Nem o Analista nem a Zero Markets Brasil receberam qualquer benefício ou retorno financeiro em razão das opiniões aqui veiculadas, o que foi feito de modo absolutamente independente e livre de qualquer conflito de interesses, nos termos da Resolução CVM 20/2021.


