Panorama Macro da Semana
Ibovespa dispara em meio a acordo nos EUA e cenário fiscal brasileiro

A semana começou com alívio nos mercados internacionais após o Senado americano anunciar um acordo para encerrar o mais longo shutdown da história dos EUA. Enquanto isso, no Brasil, o Ibovespa emplacou 14 pregões consecutivos de alta — uma sequência histórica — impulsionado por balanços corporativos e expectativas sobre o IPCA e a ata do Copom. Mas o otimismo esbarra em incertezas sobre tarifas e inflação, o que exige cautela do investidor.
🌍 Cenário Internacional
Nos Estados Unidos, o mercado reagiu fortemente ao acordo no Senado que pode encerrar os 40 dias de shutdown, trazendo alívio para a bolsa de Nova York. O avanço dos futuros asiáticos sinalizou otimismo ainda no domingo à noite, refletindo a expectativa de retomada das atividades públicas americanas.
Apesar do avanço, a incerteza persiste: a Câmara ainda precisa aprovar o texto — e há resistência por parte de parlamentares que exigem a manutenção de subsídios do Obamacare. Além disso, dados importantes como inflação ao consumidor (CPI), preços ao produtor (PPI) e vendas no varejo estão atrasados, o que gera um blackout estatístico que dificulta decisões do Fed.
A geopolítica também segue no radar: a indefinição da Suprema Corte sobre as tarifas implementadas por Trump eleva o nível de incerteza. Enquanto isso, dados econômicos da China e da Zona do Euro seguem no radar dos investidores globais.
🇧🇷 Cenário Doméstico
O Brasil vive um momento de euforia na bolsa. O Ibovespa alcançou seu 14º pregão consecutivo de alta, impulsionado por expectativas macroeconômicas mais otimistas e resultados corporativos positivos, incluindo o da Petrobras. A petroleira surpreendeu o mercado com um balanço melhor que o esperado e declarações otimistas de seus executivos.
Porém, a euforia pode ser colocada à prova nos próximos dias com a divulgação do IPCA, da ata do Copom e dos dados de serviços e varejo. Esses indicadores serão cruciais para calibrar as apostas sobre a trajetória da Selic. Além disso, um possível desfecho sobre as tarifas norte-americanas contra produtos brasileiros também pode movimentar os ativos locais.
📊 Análises Técnicas
Ibovespa

O índice rompeu recordes e acumulou 14 pregões consecutivos de alta. Apesar do otimismo, o momento pede cautela: o investidor tende a realizar lucros após fortes ralis. A recomendação é aguardar sinais de correção e utilizar a retração de Fibonacci para identificar zonas de suporte futuras.
S&P 500

Após perder a linha de tendência de alta, o índice se segurou na média móvel de 50 períodos e abriu a semana com um gap expressivo, animado pelo acordo contra o shutdown. Se o texto for aprovado na Câmara, o movimento pode ganhar força. Do contrário, pode haver correção rápida.
Ouro (XAU/USD)

O metal rompeu o padrão de consolidação da semana passada, ativando sinal de compra. Alvo parcial próximo dos US$ 4.132, com possibilidade de testar máximas históricas se o nível for rompido com força.
Euro/Dólar (EUR/USD)

Após atingir o alvo anterior, o par voltou para a zona de entrada. Atualmente está comprimido entre médias móveis e linha de tendência de baixa. Se romper a LTB, volta para zona de consolidação com viés de alta. Se respeitar, operações de venda ainda fazem sentido.
Conclusão
O momento é de alívio, mas não de euforia cega. O Ibovespa mostra força, mas o cenário internacional continua repleto de ruídos, especialmente com os desdobramentos do shutdown americano, dados represados e o impasse tarifário. O investidor deve acompanhar de perto a movimentação da semana para ajustar estratégias e evitar surpresas.
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