Panorama Macro da Semana
Última Semana de 2025: Volatilidade e Dados-Chave Antes da Virada

O ano se encerra em meio a um cenário de liquidez reduzida, mas ainda com movimentos relevantes no câmbio e nas bolsas globais. No Brasil, o destaque ficou para a carta de Natal de Jair Bolsonaro, que consolidou o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência em 2026 — um gesto que agitou bastidores políticos, mesmo após o cancelamento de uma entrevista ao Metrópoles na última terça-feira.
Enquanto isso, o Banco Central precisou intervir duas vezes no mercado de câmbio para conter a pressão de remessas de lucros e dividendos ao exterior. Somente na semana passada, mais de US$ 8 bilhões saíram do país pela conta financeira.
No ambiente global, as tratativas entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky sobre um possível cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia não avançaram, mantendo a pressão sobre os preços do petróleo. Apesar da falta de um acordo concreto, o canal diplomático permanece aberto, trazendo alguma esperança para o mercado de energia.
Com a B3 fechada na quarta-feira (Ano Novo) e as bolsas americanas operando parcialmente, os investidores voltam suas atenções para a ata do Federal Reserve e os indicadores fiscais e de emprego no Brasil, que devem definir o tom da virada para 2026.
🌍 Cenário Internacional
Nos Estados Unidos, a expectativa recai sobre a divulgação da ata do FOMC e os últimos números do mercado de trabalho, ambos decisivos para ajustar as apostas em torno do ciclo de juros em 2026.
As conversas entre Trump e Zelensky reacenderam o debate sobre o fim da guerra, mas sem resultados práticos até o momento. Essa indefinição mantém o petróleo sob forte volatilidade, com investidores testando níveis de suporte e resistência de curto prazo.
Em um ambiente de liquidez reduzida, o dólar segue oscilando em função dos fluxos institucionais, enquanto os Treasuries encerram mais cedo na véspera do Ano Novo, reduzindo a profundidade das operações.
🇧🇷 Cenário Doméstico
O mercado local inicia a última semana do ano com movimento técnico e cauteloso, após um dezembro marcado por realizações de lucro e saída de capital estrangeiro.
A disputa política volta ao radar com a oficialização da candidatura de Flávio Bolsonaro, mas sem impacto estrutural de curto prazo.
A agenda doméstica traz dados fiscais e de emprego, além da esperada acareação entre o ex-diretor do Banco Central, Diogo Vorcaro, e a autoridade monetária, evento que promete movimentar o noticiário mesmo durante o recesso.
📈 Análises Técnicas
S&P500:

O índice americano iniciou a semana com gap de baixa e formação de candle de reversão, sinalizando realização de lucros após sequência de altas. A média móvel de 21 e 50 períodos atua como principal suporte — um ponto onde pode ocorrer pullback e retomada da força compradora, replicando o movimento visto anteriormente.
Ibovespa:

O Ibovespa testou a linha de tendência de baixa (LTB), mas não teve força para romper, usando a estrutura como suporte e entrando em fase de lateralização típica de fim de ano. O ideal é buscar operações de compra somente após o rompimento do retângulo de consolidação, que confirmaria a retomada da tendência de alta.
Ouro (XAU/USD):

O metal precioso teve queda superior a 5% nesta segunda-feira, em um movimento semelhante ao registrado em outubro. O ativo se aproxima da linha de tendência de alta (LTA) e da média móvel de 21 períodos, pontos que podem gerar reação compradora. O cenário exige cautela — o ideal é aguardar confirmação de sinal de alta antes de novas entradas.
Euro/Dólar (EUR/USD):

O par formou um novo retângulo de consolidação, mantendo tendência de alta no curto prazo, com fundo mais alto que o anterior. A resistência atual deve ser observada de perto: o rompimento pode abrir espaço para continuidade da alta, enquanto uma falha pode gerar correção temporária.
Conclusão
A última semana de 2025 chega com o mercado em compasso de espera, mas ainda sujeito a movimentos bruscos diante de liquidez limitada.
A falta de avanço nas negociações entre EUA e Ucrânia, somada aos dados fiscais e de emprego, deve manter os investidores cautelosos até a virada do ano.
É um momento de proteger capital e evitar operações arriscadas, priorizando estratégias técnicas e gerenciamento de risco.
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